Lei seca mais rígida reduz número de acidentes nas BRs


É para comemorar, apesar do uso polemico do aplicativo Waze, mortes e acidentes reduziram 6% depois que lei ficou mais dura.

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Há um ano a Lei Seca se tornou mais rígida para os motoristas que insistem em dirigir após o consumo de bebidas alcoólicas. As principais mudanças foram: tolerância zero para ingestão de álcool, o aumento da multa de R$ 957 para R$ 1.915, com possibilidade de chegar a R$ 3.830, em casos de reincidência, e a possibilidade de usar vídeos para comprovar embriaguez. Tudo isso trouxe resultados positivos, se observados os números da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em rodovias federais, que registraram diminuição de 6% nos acidentes relacionados com o consumo de álcool no País no primeiro semestre deste ano, se comparado com o mesmo período de 2012.

As primeiras mudanças da legislação contra motorista alcoolizado foram feitas em meados de 2008. Entretanto, os registros feitos pela PRF não são confiáveis até 2010, já que os números são muito irregulares, não possibilitando uma comparação segura. Entretanto, entre 2010 e 2011, o aumento de acidentes foi de 16%. Em 2012 teve recuo de 1% no total de ocorrência, chegando a uma nova queda de 6% nos registros de janeiro a junho de 2013.

Foto: Marcelo Roque / vc repórter
Foto: Marcelo Roque / vc repórter
O acidente mais comum relacionado com o consumo de álcool nas estradas federais é a colisão traseira. Foram 417 ocorrências nos primeiro seis meses deste ano, 17,8% menos que no ano passado. A saída de pista (- 4,2%) e colisão lateral (-12,5%) também apresentaram redução. Foram identificados aumentos, no entanto, nas colisões com bicicleta, que subiram 15,2%, e no atropelamento de animal, 28,6%.

“De fato, a modificação na legislação foi fundamental para que ocorresse essa queda na questão dos acidentes relacionados com a alcoolemia, mas junto a essa questão, teve um aumento da fiscalização realizada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF)”, justifica o coordenador-geral de operações substituto da PRF, inspetor Stênio Pires, pouco antes de analisar que o endurecimento da lei diminuiu o sentimento de impunidade.

“O impacto mais forte é a questão da sensação de impunidade do cidadão. Ele podia dirigir alcoolizado, se negar a fazer o teste do etilômetro, e recebia apenas uma autuação e tinha a CNH recolhida, ou seja, ele não era autuado por crime. Agora, não, a sensação de impunidade caiu drasticamente no meio da população”, analisa.

Em 2008 foram feitas as primeiras mudanças na legislação, que logo no primeiro ano de aplicação, reduziram as mortes no trânsito. Entretanto, logo os motoristas passaram a se negar a fazer o teste do bafômetro, o que fez com que os números atingissem os mesmo patamares de antes da lei. “Quando a população percebeu que ao se recusar a fazer o teste, estava livre de um possível enquadramento criminal, houve um aumento de novo nos acidentes envolvendo a bebida alcoólica”, lembra Pires.

Um exemplo claro disso são os números da região metropolitana do Rio de Janeiro. Em 2009, ano seguinte à implantação do primeiro formato de lei seca, foram registradas 662 mortes no trânsito (total de casos) número que subiu para 686, em 2012.

Entretanto, se o primeiro semestre de 2013 – 2014 – meses subsequentes ao recente endurecimento da lei seca – for comparado com o mesmo período de 2012, é possível verificar uma impressionante queda 142% (de 324 para 187) no total de mortes. Os dados são da Organização Não Governamental (ONG) Rio Como Vamos compilados junto aos números do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro.

Atualmente, o motorista flagrado dirigindo alcoolizado paga multa de R$ 1.915, e pode ter que desembolsar R$ 3.830, em caso de reincidência em menos de um ano. Além disso, a pessoa perde a carteira de habilitação e fica proibida de dirigir por um ano.

 

O texto com o novo endurecimento da lei passou pela Comissão de Constituição e Justiça, em decisão terminativa, e se não foram apresentados recursos até o dia 17, a matéria será enviada para a Câmara de Deputados.

 

Acidentes relacionados com consumo de álcool 1º semestre de 2013

COLISÃO TRASEIRA741
Saída de Pista571
Colisão lateral443
Colisão Transversal376
Colisão com objeto fixo308
Colisão Frontal292
Atropelamento185
Queda de motocicleta, bicicleta e veículo183
Capotamento177
Colisão com bicicleta92
Tombamento65
Colisão com objeto móvel14
Atropelamento de animal7
Derramamento de carga3
Danos eventuais3

 

 

Acidentes provocados por álcool no 1º semestre de 2012

COLISÃO TRASEIRA846
Saída de pista558
Colisão lateral463
Colisão com objeto fixo363
Colisão transversal324
Queda de motocicleta, bicicleta e veículo273
Colisão frontal267
Atropelamento218
Capotamento189
Tombamento92
Colisão com bicicleta74
Colisão com objeto móvel12
Atropelamento de animal5
Danos eventuais2
Derramamento de Carga2
Incêndio1

Informações via Terra

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